Lucas Gonçalves pega a estrada de sua própria história em Verona

Novo trabalho solo do músico e compositor chega às plataformas  nesta Quinta, 23

 

Lucas Gonçalves só soube que tinha um disco no início deste ano. O músico, cantor e compositor passou a maior parte de 2020 experimentando esquemas de captação em seu próprio estúdio em casa, quando gravou as faixas Subir a serra – lançada em julho como single – e Ver a cidade, respectivamente faixas 2 e 6 deste lançamento. Ele logo percebeu a relação entre essas duas canções, que acabaram por formar o que seria o protótipo de Verona, seu novo trabalho que chega às plataformas digitais no dia 23 de setembro, pelo selo Pequeno Imprevisto.

 

“Comecei a ver um cenário, o início de uma pintura na minha cabeça”, ilustra. A obra completa – sucessora do seu elogiadíssimo álbum de estreia, Se Chover [2020], – conta com 17 faixas, todas assinadas por ele, exceto Amigos do Peito [ParaISo], de autoria de Ivo Guedes e apresentada ao público em agosto como o segundo single do trabalho.

 

Lucas não estava acostumado a pensar uma obra com uma sequência narrativa, mas quando escolheu uma ordem para as músicas, pôde ver com mais clareza os “buracos” da estrada. “Eu sou entusiasta, e muitos compositores são, de quando você enxerga um caminho, uma estética, fica tudo mais fácil, você consegue direcionar o trabalho. Com Verona aconteceu isso. Quando eu defini uma ordem do disco, nasceu a faixa Diário de Bicicleta, por exemplo, que veio para cobrir alguns buracos narrativos do disco”, afirma.

 

A ideia de produzir um álbum do zero era um desejo antigo do músico (em Se Chover, a produção é assinada por ele em parceria com Luciano Tucunduva). Em Verona, Lucas usou muito de seus próprios recursos como uma guitarra linha por falta de amplificador e chegou até a queimar um HD mixando uma das faixas do disco. A bateria – de Renato Medeiros – gravada em dois canais e uma guitarra de 12 cordas ajudou a construir a atmosfera folk rock com tons de Minas Gerais da obra; além das guitarras – este é um disco cheio delas – solos de saxofone também são responsáveis por equilibrar os harmônicos com sons mais metálicos. 

 

Dono de uma poética ao mesmo tempo pessoal e universal, com a rara habilidade de que, ao falar de si, está falando de todos nós – Lucas faz um mergulho ainda maior em sua própria história em Verona. Algumas das letras são criações antigas, como Manhã de domingo, de 2009, mas todas se conectam como afluentes de um rio que leva até Passo Quatro, cidade onde ele viveu parte da infância e adolescência. Por isso, muitas das composições têm traços biográficos com imagens que Lucas tentou recompor. Uma delas: aos 15 anos, ele chegava em casa quando o dia já estava nascendo, depois de uma noitada já trabalhando com música, e era recebido pelo pai fazendo café da manhã. Para o músico, esse é um disco romântico. “ As coisas foram um pouco aumentadas, exageradas, mas [escrever as letras] foi uma terapia pra mim. Falo de alguns amores que eu vivi, de amizades. “Tudo o que eu não disse a você, paira no céu da boca. Não me espere lá”, ele diz, citando um trecho de Não Me Espere Lá.

 

Participações vieram de troca de mensagens sobre Se Chover

 

Esta viagem até os afetos de Lucas Gonçalves pode até acabar na estação, mas ele não fez essa viagem sozinho. O sucesso de Se Chover fez com que Lucas começasse a receber mensagens de músicos e artistas; essas conexões logo se tornaram parcerias que agora podemos ouvir em Verona. “Era gente que eu queria fazer som e que nunca tive coragem de chamar”, diz. Segundo ele, o período de isolamento que forçou colegas e público a acompanharem seu trabalho pelas redes sociais facilitou algumas dessas aproximações. 

 

Vitor Loureiro gravou os sintetizadores de Ver a Cidade. Sua mixagem em Subir a Serra também serviu de guia para o restante do disco. Até conta com a flauta transversal e as vozes de Helô Ribeiro. Cuca Ferreira é responsável pelo saxofone de Para pé quatro e Suka Figueiredo pelo Saxofone alto na faixa instrumental do disco. Lucca Simões, parceiro de Lucas em Se Chover, gravou guitarra em Amigos do Peito e piano elétrico em Ver a cidade. Aline Lessa gravou vozes e criou um baixo no piano em Desembarque. Betina fez os sintetizadores de Manhã de domingo e Herberth Souza gravou sintetizadores, órgão e um piano elétrico em Diários de Bicicleta. A faixa de abertura tem participação do violino de Fernanda Kostchak. 

 

O disco conta com a capa de David Guedes e Felipe Vieira, inspirados por uma foto do pai de Lucas correndo na beira da estrada. A imagem é de 1985, antes da família descobrir uma alteração em seu cerebelo que mais tarde tiraria sua capacidade motora. Na capa, Lucas está usando a jaqueta jeans do pai. “Uma inspiração imagética: eu chegando em Passo Quatro em 78 e falando pro meu pai – “Ei, vamos tomar uma!” 

Lucas Goncalves – Verona

23/09 nas plataformas digitais

Lançamento: Pequeno Imprevisto 

Faixas:

  1. Abertura (pontes para fazer)
  2. Subir a Serra (saudade é que nem neblina)
  3. Amigos do Peito (+ paraíso)
  4. Antes do Sol (phillips’s feeling)
  5. Até (a chegada)
  6. Ver-a-cidade (outra praça de ser)
  7. Não me espere Lá (jardim dos leões)
  8. Tempo Bom (êê saudade)
  9. Diários de Bicicleta (estrada velha)
  10. Abril 74 (dia nublado)
  11. DES (embarque)
  12. Cadafalso (delírio)
  13. Ar (domingo de manhã)
  14. Manhã de domingo (a corda no meu pescoço)
  15. Girata (contei buracos na estrada)
  16. Para Pequatro (as suas esquinas)
  17. Verona (.) 

Ficha técnica

Gravado no departamento de Cordas, SP

Produzido por Lucas Gonçalves

Mixado por Lucas G.O, Vitor Loureiro (faixa 2 e 6) e Luciano Tucunduva (faixa 12)

Masterizado por Otávio Carvalho (Submarino Fantástico)

Arte por Azevedo Lobo (Grão)

Arte da capa/ encarte por Davi Guedes e Felipe Vieira

A&R por Eduardo Lemos e Otávio Carvalho 

Comunicação por Eduardo Lemos 

 

 

Sobre o Pequeno Imprevisto 

Fundado em fevereiro de 2020 por Otávio Carvalho e Eduardo Lemos, o Pequeno Imprevisto lança discos e cria conteúdo. Em seu primeiro ano de atuação, lançou os álbuns “Presente”, “Sóis” e “Sóis – Remixed” de Luiz Gabriel Lopes; “Libre”, de Čao Laru, “Se Chover”, de Lucas Gonçalves; “Amazonon”, de Juliano Abramovay e “Quarto”, de Gustavo Galo. É do selo o projeto “Singles Imprevistos”, que reúne nomes da casa com autores como André Abujamra, Biel Basile e Meno del Picchia, entre outros.

 

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