O Pequeno Imprevisto nasceu de um pequeno imprevisto. Era janeiro de 2014 e eu estava na casa do Meno del Picchia para entrevistá-lo para o Azoofa. Ao fim do papo, ele me diz “agora tô indo ensaiar perto da sua casa, te dou uma carona”, eu entro no mítico Uninho do Meno, e a conversa flui de um jeito que quando a gente vê já tamo na porta estúdio, caramba, e agora, não quer aproveitar que você tá aqui e conhecer o Submarino? Uai. Por que não?

Um cara abre o portão e o Meno faz as honras: esse aqui é o Du, esse aqui é o Ota. Lá dentro, enquanto o Meno monta as coisas pro ensaio, o Ota me mostra o estúdio, me dá uns discos da banda (uma tal de Vitrola Sintética, já tinha escutado esse nome…) e, quando eu já estou de saída: ei, mano, tem uns 5 minutos? Queria te mostrar o clipe que o Vitrola tá gravando, pode ser? Claro. Que clipe é esse?, eu quero saber. A resposta dele seria a primeira cola a nos unir: “é uma versão nossa pra uma música dos Paralamas. Você curte eles?”

Desse momento em diante, descobri que o mundo era cheio de colas querendo nos unir: fui por algum tempo o quinto elemento do Vitrola, tocando a comunicação, booking e mil coisas mais; fizemos um documentário, viajamos pra 2 Grammy Latino (e também pra Bauru ou Bragança), fomos do mesmo time em projetos de outros artistas amigos, ele gravou os shows do Nick Drake: Lua Rosa, até ensaiamos jogar uma bola juntos, e no meio disso tudo sempre tinha uns almoços, uns cafés, uns encontros pré-pós shows em que a gente ficava debatendo: mas e aí, mano, como é que a gente faz pra viver de música de um jeito menos precário? Tamo no caminho certo? Tá tudo errado? Bora na Deola continuar esse papo?

E não sei em qual mesa de padaria ou de restaurante a quilo que a gente chegou nessa ideia: um selo. Juntar as forças do Otavio artista, músico, engenheiro de som com o Eduardo jornalista, produtor e pesquisador musical. Trabalhar nos trabalhos dos artistas cuja música nos entusiasmam – mas não apenas a música. Mas vamos só lançar os discos, é isso? Não. A gente podia ser uma espécie de central de inteligência a favor dos artistas da casa. Inventar, com eles, novas formas da música chegar a mais gente. E se a gente fosse um portal de conteúdo sobre música? Bora.

Foi mais ou menos assim.

Ah! E tinha uma regra (imposta por mim): o nome teria que vir de uma música dos Paralamas. Sem razão alguma. Apenas tinha. (Mentira: razões emocionais, mas essa paixonite por Herbert, Bi e João já tá clara lá no segundo parágrafo). Peguei um fim de semana e li todos os títulos de todas as músicas de todos os discos do Paralamas e anotei aqueles que eu enxergava como bons nomes para um selo. Mas lá no fundo do coração eu já tinha um favorito, na verdade eu comigo mesmo já tava chamando esse selo de Pequeno Imprevisto. 

Um dia, aqui em casa, mostrei a lista pro Ota. 

Aí ele: gostei de vários, mais um aqui me pegou mais. 

Qual? 

Pequeno Imprevisto, mano.

Viva!

O Pequeno Imprevisto é um selo musical criado por Eduardo Lemos (jornalista e pesquisador musical) e Otavio Carvalho (músico, compositor e produtor). 

A proposta do selo é lançar discos de artistas e bandas brasileiras cujas ideias nos pareçam originais em comparação ao que é produzido atualmente no Brasil, seja na temática, na sonoridade ou na forma como pensam e conduzem sua carreira. Também nos interessa reeditar álbuns cuja beleza ainda não tenha sido apreciada apropriadamente. 

Mas não nos restringimos apenas a colocar discos no mundo: queremos trabalhar em ações criativas que expandam a experiência do público para além da audição do álbum e da presença em shows. Para isso, sempre partindo dos temas e propostas do disco, vamos utilizar ferramentas como oficinas, cursos, publicações impressas, exposições etc. 

O nosso site será uma plataforma de conteúdo, onde abriremos espaço para conversas com os sujeitos fazedores de música: produtores, compositores, cantores, músicos, técnicos, assessores e um sem-fim de profissões. 

Pensar, produzir, lançar, ampliar, investigar: o caminho do selo é por aí. 

Mas quem sabe para onde os pequenos imprevistos podem nos levar?

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