Um Instrumento musical, uma história #2 Gustavo Galo

 

Gustavo galo comenta o processo de entender sua voz como um instrumento, em seus primeiros trabalhos, e de como Alzira E. lhe ajudou neste processo

 

Certos eventos   até bem corriqueiros no ambiente da música são tão comuns — e ao mesmo tempo importantes — quase na exata medida e proporção do quanto possuem algum valor fundamental para entender, de verdade, a música, e o universo que a produz.

Um bom exemplo a respeito disso — motivo desta série de textos — é perguntar a algum músico se existe algum instrumento musical, em especial, que o acompanhou em sua trajetória que possua alguma importância maior, pessoalmente.

Porque, quando instados a responder a respeito sobre algo que frequentemente façam com que tantos músicos comecem a ter afeição a algum determinado instrumento musical  em específico — seja particular ou sobre a escolha de um instrumento  que fizeram —  a resposta costuma vir com duas linhas de raciocínio frequentes : a afeição vem do simbolismo e representatividade que aquele objeto é importante para sua trajetória, e como ele e capaz de contar histórias sobre o músico, ou porque a afeição vem justamente daquilo ser, antes, um objeto em que o músico desenvolve como linguagem que seria quase a sua própria voz, perante o mundo.

Mas a voz — literal e sem metáforas — não é também afinal esse instrumento, com o mesmo objetivo? Em sua resposta à pergunta feita, o músico e poeta Gustavo Galo nos lembra que sim, em sua trajetória. E conta a história de como uma amiga o ajudou, neste entendimento.

“ Se fosse para escolher um instrumento musical em específico, talvez eu falaria de um antigo violão Di Giorgio que eu tenho há muitos anos, e gravei o disco “Quarto” com ele. É um violão muito bom, e na verdade ele é da família há muito tempo, pertencia ao meu pai, e depois ficou comigo. Ele já quebrou e foi arrumado algumas vezes, mas eu estou há muito tempo com ele, eu compus muitas das minhas músicas com ele, então há toda uma relação especial com ele”.

“ Mas para dizer algo que seja singular  pra mim, eu escolheria como esse instrumento a voz, e contaria uma história do tempo das gravações do meu primeiro trabalho solo , o “Asa” (2014).” Quando estava gravando, eu senti um pouco de dificuldade de encaixar minha voz dentro dos instrumentos e das gravações, e eu não estava conseguindo fazer de uma forma que queria. Então eu pedi alguns conselhos com minha grande amiga, a Alzira E.  (Cantora e compositora, parceira de Itamar Assumpção ao longo dos anos 90). Eu comentei com ela, que não tava conseguindo fazer esse encaixe, e ela me aconselhou na hora de gravar a beber algum destilado para encontrá-lo. Eu já bebia destilado e tudo o mais, mas ela me disse que na hora mesmo de gravar, o destilado me ajudaria a me encaixar dentro da interpretação que eu queria na música. Ele me faria sentir como se estivesse entrando no fone de ouvido, na gravação das músicas.  E essa dica funcionou muito bem dentro do que eu queria fazer na gravação, e ela me ajudou demais com isso”, conta Gustavo.

 

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